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Måneskin: Quatro jovens em uma aventura impensável (GQ - 05/2018)

Atualizado: 6 de jun. de 2022


Disclaimer: transcrição e tradução da matéria e entrevista feita pela revista GQ MAGAZINE ao Måneskin, publicada em 08 de Maio de 2018..



Måneskin: quatro jovens lançados em uma aventura impensável.

A final do The X-Factor, o disco de platina, a turnê esgotada... O estranho caso de um grupo de adolescentes que encantam crianças, adultos, avós e celebridades


Tudo isso não é suficiente para nós”, diz Damiano, alusivo para o set onde essas fotos foram tiradas, para as roupas, para mim, para tudo o que aconteceu nos últimos meses.

"Não é o suficiente para nós porque nem sabemos como nem como descrever o objetivo que temos. Queremos chegar onde não você não consegue ver, nem mesmo daqui."


Até setembro passado, Måneskin era um grupo de rock de garotos de Roma, que você poderia só ouvir falar nos últimos dois anos se frequentasse uma escola secundária dentro do Grande Raccordo Anulare. Em menos de um ano, chegaram a final do X-Factor, lançaram dois singles (Chosen foi disco de platina), fizeram uma turnê esgotada em pequenos clubes, outra turnê adicionada para o Outono em locais bem maiores, e eles se tornaram uma coisa impossível de se ignorar se você mora na Itália.

A série de shows no Outono começa no dia 10 de novembro em Senigallia. Em três das dez datas anunciadas, os ingressos já esgotaram.



“Por agora construimos um castelo, queremos construir dois, dez, vinte, e depois um galeão, depois um galeão voador”, então diminui a velocidade e marca: ‘Uma confusão, nós queremos fazer uma con-fu-são”

Os Måneskin, como deveria ser, apenas saem, entrevistam e fotografam como um todo.


Eu não existo sem eles e eles não são apenas 'minha banda'. Quatro cabeças funcionam melhor que uma, por isso todos somos necessários”. Mas Damiano David, o menino de Bravetta, filho de dois comissários de bordo, com aquele rosto que parece desenhado por Andrea Pazienza, não é apenas o cantor mais antigo deste grupo, é acima de tudo o líder emocional, o rosto, o corpo, a ideologia.


Os outros três, Victoria De Angelis, Thomas Raggi, Ethan Torchio, olham para ele com diferentes graus de adoração.

“Damiano é o pai do grupo, aquele que segura a situação, é muito protetor com a gente”, diz Victoria, a baixista. “Mas também é ele quem perde as estribeiras mais facilmente.”


Loucura e ética de trabalho, vaidade e ambição


“Eu sou um cavalo louco”, ele admite”. “mas eu sou o último a dormir à noite e o primeiro a acordar de manhã”. Se os outros estão dormindo, ele já encontrou um lugar para treinar, como um jovem Cristiano Ronaldo – mesmo que Damiano seja romanista e, como quase todos os nascidos em Roma nos anos 90, antes de sonhar ou fazer qualquer coisa, sonhou em “ser Francesco Totti”. O capitão ainda não o conheceu, mas conheceu Alessandro Florenzi:É um garoto com os pés no chão. É um fã, ele me contou. Nos tornamos amigos”.

O primeiro núcleo do Måneskin foram Victoria e Thomas: eles se conheciam há muito tempo, já haviam tocado em um grupo e queriam começar outro. Foi em 2015, precisavam de um cantor e Victoria se lembrou de Damiano, com quem já tinha tocado algumas vezes quando eram menores. O último a se juntar ao grupo foi Ethan, o baterista: cabelo comprido, poucas palavras, paixões estranhas (desenhar labirintos). O complemento ideal para o caos narcisista que ele encontrou nos outros.


“Ethan é o forasteiro, fala pouco, mas sempre tem um ponto de vista diferente a oferecer, é o único entre nós que reflete de verdade sobre as coisas e também é o melhor músico”, explica Thomas. Ele, por outro lado, é o guitarrista, o mais novo, o menor, aquele com o ar mais frágil.


“É aquele que mais cresceu em nosso caminho, durante as exibições ao vivo ele ficou ansioso, cometeu erros, se distraiu, as vezes jogamos as baquetas nele. Enchemos o saco”, Explica Damiano.


E Victoria?


“Victoria parece frágil, quase impossível de tocar, mas tem uma personalidade muito forte”. Para descrevê-la dessa forma, é Ethan, concluindo este jogo circular de apresentações, antes que Damiano e seu senso de síntese chegassem.

Vic é um pouco Britney Spears e um pouco Frida Kahlo, um gênio no corpo de uma louca”, só para depois concordar com os outros que, afinal, Britney não é louca.



O camarim, antes de seu segundo show consecutivo no Santeria Social Club em Milão, está imerso no silêncio, só se ouvem secadores de cabelo e chaves. Os Måneskin são esperados em um dos tantos shows esgotados dessa primavera.

Quem os acompanhou durante todo o processo jura que geralmente ouvem muito mais ruídos antes das apresentações, mas esta noite a sala parece uma escola de maquiagem antes do exame final. As sessões dos quatro meninos são sempre muito longas, metamorfose mais do que maquiagem e perucas: entram Damiano, Thomas, Vic e Ethan e saem os Måneskin - glitter, látex e meias arrastão.

O segundo single, “Morirò da Re”, foi lançado esta manhã e Damiano pergunta ao empresário sobre números, performances, feedback. É a primeira vez que eles cantam em italiano, é uma peça importante na curta história da banda. O resto do tempo é dedicado a um jogo de futebol no smartphone, contra um usuário brasileiro que não faz ideia de que está jogando com um dos jovens mais famosos da Itália.

Nos últimos meses, o Måneskin foi tanto amado quanto odiado. Foi escrito que eles não sabem tocar, que não sabem falar, que são arrogantes, que não tem trajetória, que não tiveram impacto. Algumas coisas são verdadeiras (o pequeno impacto, a pouca trajetória e eles realmente serem um pouco arrogantes), as outras são falsas. Muitas vezes é escrito, por exemplo, uma coisa absolutamente equivocada: O Måneskin só é ouvido por crianças.

Atrás das primeiras filas de jovens há de tudo: grupos, casais, adultos, até uma criança com a camisa do Metallica. Os Måneskin sabem disso: a heterogeneidade do público é uma de suas primeiras vitórias depois do The X-Factor.

“O público que você tem é o público que você tem, e você deve amá-lo. Adoramos que tenha crianças, mas a cada show a idade média aumenta”, explica Damiano. “Havia um homem de uns 60 anos que pulava mais do que as meninas novas”.

No geral, uma pitada de celebridades: em Milão, compareceram Daniele Bossari, Belén Rodríguez, Andrea Iannone, etc. O Show do Måneskin foi o evento mais quente de uma sexta-feira à noite em Milão.

Em casa show da turnê, enquanto a banda toca a última música antes do bis, um técnico começa a montar um poste de pole dance no meio da plateia. Nesse ponto, as mulheres ao resdor começam a ignorar o que está acontecendo no palco para fotografar o pole, no qual Damiano se apresentará em alguns minutos, vestindo calcinha e votas de látex. Basicamente, é a ilustração de como todo fetiche funciona. Essa emoção pelo Pole também é a prova de que, no arco constitucional que vai de crianças a pais e celebridades procurando noites de moda, entre aqueles que ouvem o Måneskin também estão mulheres de todas as idades, atraídas por Damiano.




Nada errado, é a história do Rock N’ Roll.

Antes de cantar Gimme Shelter, dos Rolling Stones, Damiano diz no palco; “Se não conhecem essa música, vocês nunca foram a escola”, e ele também faz alusão a isso. De Mick Jagger em diante, os shows de rock devem ser permeados por algum tipo de carga erótica que faz parte da tarefa de uma estrela do rock (e nisso, Damiano é excelente).

“Durante o ao vivo eu não percebo nada, pareço um louco, em transe total, mas sim... eu percebo esse desejo, devo dizer, é uma coisa boa. Um pouco de vaidade é boa, enquanto dura é boa, não é?” e ele faz esse gesto com três dedos que deslizam no queixo, um pouco Jerry Calà, como que para sublinhar que haveria coisas que ele não iria me dizer.

O Pole é uma ideia que vem da televisão, do The X-Factor, e não vai estar lá para sempre: “Não quero que se torne um clichê. Eu farei, vou parar e vou fazer de novo. Como vier na minha cabeça”.

Hoje, os Måneskin certamente criaram algo, mas para continuar existindo esse “algo” por muito tempo, devem preencher o espaço vazio com canções. Na primeira turnê, eles tem cerca de vinte músicas na programação, mas apenas três autorais. Como eles mostraram no The X-Factor, eles não bons em tornar “Måneskin” uma grande variedade de músicas muito diferentes – de Breezeblocks (Alt-J) a Vengo dalla Luna (Caparezza), mas quanto tempo isso pode durar?

O primeiro álbum deles sairá no outono, não se sabem os detalhes, mas a chave do futuro está confiada ali, eles sabem disso:


“Ter a ansiedade de fazer, fazer, fazer para aproveitar esse momento seria uma coisa estúpida”, diz Vic. "Tentamos manter o nível alto, dar o melhor que podemos".

Agora os quatro estão nessa fase criativa e elétrica de acumular muito, muito material.


“Escrevemos uma centena de canções, colocando nelas tudo aquilo que nos passava pela cabeça, para depois escolhermos as que gostamos mais. ‘Chosen’ e ‘Morirò ad Re’ nasceram rapidamente e se tornaram singles”, explica Thomas.


“E muitas outras acabaram sendo descartadas”, remarca Damiano. “E é assim que funciona: você faz, parece ser a coisa mais legal do mundo, depois de dois dias você a escuta e não vale mais nada”.

Eles não sabem se o álbum será em inglês ou em italiano.

“Morirò da Re” é um experimento que funcionou, mas Damiano, autor das letras, ainda não decidiu em que direção eles vão andar, provavelmente para os dois lados.

“Se eu conhecesse uma terceira lingua, também escreveria nela. Não quero me colocar limites. O inglês para mim é bom para comunicar algo mais leve, mais feliz. O italiano é o certo para mandar uma mensagem mais compreensível, que faça refletir, como ‘Morirò da Re’, que fala do fato que de algo ruim pode sempre nascer algo bom”


Em torno do Måneskin existe uma máquina que já é enorme em termos de orçamento e responsabilidade. A história deles parece sair de um filme dos anos 80, como Stand by Me ou The Goonies: quatro caras sem supervisão partem em uma aventura impensável, com Damiano no papel do amigo mais maduro e corajoso, que sempre sabe o que fazer e o que dizer.

“Sabemos que tudo isso pode acabar, aconteceu com muitas figuras, poderia acontecer conosco também. Mas sabe de uma coisa? Nós não temos medo. Zero. Porque sabemos que podemos merecer, sabemos que temos meios para conseguir”

E com esse espírito atravessaram o The X-Factor.

Não venceram, mas fizeram algo melhor: fizeram o reality parecer muito pequeno para eles, e tornaram irrelevante aquele segundo lugar.


Ao perguntar, eles respondem em coro:

“Não nos importa não termos vencido”.


E Damiano diz a todos: “Nós decidimos as músicas, nós decidimos os looks, nós decidimos tudo o que dissemos, foi pura anarquia. Fomos nós mesmos, quem realmente somos. Por isso, quando encontramos aquela loucura nos esperando do lado de fora, com ‘Chosen’ já sendo disco de ouro, estávamos prontos”.

O jurado deles no programa era Manuel Agnelli, que continua sendo o mentor da banda, companheiro de jantar e de bebida. Ele recentemente concordou em ser levado para um passeio por eles em Trastevere e deve ter sido uma noite interessante.

Pergunto aos meninos qual foi o melhor conselho que Manuel deu.

"De sempre sermos nós mesmos..." começa Thomas, mas Damiano interrompe e esclarece: "Nun ve fatte intortà", ele nos disse: "Nunca deixe ninguém colocar seus pés na sua cabeça”.




 

Tradução: Juliana Galvão | Portal Måneskin Brasil © 2022

Original: Ferdinando Cotugno e Andres Tenerani | GQ MAGAZINE © 2018


Todos os direitos reservados a GQ MAGAZINE ITALIA.

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